Octavia Spencer e Viola Davis em Histórias Cruzadas (Divulgação)

Não é novidade que o filme Histórias Cruzadas (The Help) começou a chamar mais atenção após o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos assim como a onda de protestos geradas pelo caso. Viola Davis era uma das protagonistas do longa e revelou em uma entrevista à revista Vanity Fair que não se sentiu feliz em participar do filme sobretudo traindo suas raízes.

A atriz que cresceu num lar pobre, revelou que durante a entrevista que fazia xixi na cama até os 14 anos e por vezes, ia cheirando a urina para a escola. Durante as aulas, quase não falava pois não sentia que alguém como ela poderia ter algum tipo de voz ativa. Ela ainda disse que tomou consciência da própria etnia e que os escravos não eram analfabetos como a história branca pregava, quando um professor a levou para um centro de cultura afro para conhecer as obras de vários escravos abolicionistas.

Sobre o filme de 2011, ela não teve nenhum problema com a diretora e autora do longa, Tate Tayler, mas se perguntou se aquela não era a visão que os brancos criaram dos negros. “Não posso dizer o amor que tenho por essas mulheres, e o amor que elas sentem por mim, mas em qualquer filme, as pessoas estão prontas para a verdade?”, questionou.

“Poucas narrativas são investidas em nossa humanidade. Eles investiram na ideia do que significa ser negro, mas está atendendo a uma expectativa do público branco. O público branco pode no máximo se sentar e obter uma lição acadêmica sobre como nós somos, então eles saem do cinema e comentam sobre o que aquilo significava, mas não são movidos por quem nós somos, ou éramos”.

“Não há quem não se divirta com Histórias Cruzadas, mas há uma parte de mim que parece ter me traído porque eu estava num filme que não estava pronto para dizer [toda a verdade]. Histórias Cruzadas como muitos outros filmes foi criado na fossa do racismo sistêmico” disparou.

Ela disse que não pode participar mais ativamente do protesto pois temeu pela sua saúde aos 55 anos, como de seus parentes mais velhos devido ao COVID-19, mas explicou que sua vida inteira foi um protesto, desde a criação de sua produtora, até mesmo receber o Oscar em 2012, com seu cabelo natural, sem peruca.

Fonte.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.